quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Cidades

Memorial da Maré associa homenagem a vítimas e reivindicações por segurança pública

Reinauguração da Praça da Paz inclui 18 novos azulejos e ocorre durante seminário sobre memória, luto, justiça e reparação no complexo de favelas.
Memorial da Maré associa homenagem a vítimas e reivindicações por segurança pública
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

A reinauguração do Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré ocorre nesta quinta-feira (5), no Rio de Janeiro, junto a uma programação que reúne familiares de vítimas para discutir memória, direito ao luto e segurança pública. Conhecido também como Praça da Paz, o espaço recebeu novos azulejos, intervenções nos jardins, bancos e um velário.

O memorial foi concebido pela artista Laura Taves e inaugurado em 2022. Na primeira versão, a instalação reunia 127 azulejos azuis e brancos com os nomes de pessoas mortas em episódios de violência. A revitalização acrescentou 18 peças em homenagem a outras vítimas.

Local entre duas comunidades

A instalação está em uma área limítrofe entre Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, zona norte da capital fluminense. As duas comunidades são descritas na divulgação como estando sob influência de facções criminosas rivais.

Para Tainá Alvarenga, pesquisadora da organização não governamental Redes da Maré, o local é marcado pela mobilização e pela resistência dos moradores, mas também pela violência. “É uma área que está bastante marcada ali pela luta dos moradores, por sua resistência, mas também pela violência”, afirmou.

Segundo a pesquisadora, familiares de vítimas participam da pintura dos azulejos. A construção do memorial, de acordo com Tainá, parte da mobilização das famílias para preservar a memória e reivindicar o direito ao luto.

Seminário reúne familiares

As atividades sobre memória, justiça e reparação seguem até sábado (7). A proposta é discutir caminhos para vítimas da violência armada e seus familiares, incluindo pessoas atingidas por confrontos entre grupos criminosos rivais e por operações policiais.

Tainá afirmou que o seminário permite às famílias compartilhar suas lembranças e apresentar reivindicações relacionadas à segurança pública. “A gente marca isso no território e dá a possibilidade de as famílias trazerem a memória e também a reivindicação por melhorias dentro do âmbito da segurança pública”, disse.

Levantamento da Redes da Maré citado na divulgação aponta que 160 pessoas morreram em operações policiais no Complexo da Maré entre 2016 e 2025. O memorial reúne parte dessas homenagens, enquanto a programação busca relacionar a preservação da memória às demandas apresentadas pelos familiares.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos