segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Brasil

Vídeo de manifestação na Barra é citado em ofícios por suspeita de crime racista

Ministério da Igualdade Racial pediu ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral a investigação de uma cena registrada no último ato de campanha de Flávio Bolsonaro no Rio.
Vídeo de manifestação na Barra é citado em ofícios por suspeita de crime racista
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O Ministério da Igualdade Racial encaminhou, no dia 25, ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro para pedir a investigação de uma cena registrada durante uma manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro (PL). O ato ocorreu no dia 24, na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A solicitação foi feita após a circulação de um vídeo em redes sociais e sites de notícias. Nas imagens, conforme a descrição divulgada, um homem branco identificado como apoiador do candidato conduz um homem negro acorrentado durante o último ato de campanha de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.

O que aparece no vídeo

O homem que conduz o outro aparece usando calça e jaqueta nas cores verde e branco, com aplicações da bandeira do Brasil, além de camisa e tênis azuis. O homem negro veste uma camisa listrada em vermelho e preto, bermuda preta e carrega um tridente.

Durante a gravação, o apoiador branco se refere ao homem negro como “Luladrão, Satanás e Capiroto”. O candidato estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).

Manifestação do ministério

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial classificou a cena como inaceitável e afirmou que a situação reproduz uma dinâmica associada ao período escravagista. A pasta também declarou que episódios desse tipo, quando ocorrem no contexto eleitoral, têm relação com marcas históricas que ainda atingem a sociedade brasileira.

Com os ofícios, o ministério pediu que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria Regional Eleitoral apurem as circunstâncias do episódio. A divulgação não informa resultado de investigação, prazo para análise dos pedidos ou providências já adotadas pelos dois órgãos.

Pedido de Anielle Franco

Antes do encaminhamento dos documentos, a deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) publicou uma mensagem na rede social X dizendo que acionaria o Ministério da Igualdade Racial. Segundo ela, a medida envolveria tanto o caso ocorrido na Barra da Tijuca quanto um episódio de intolerância religiosa registrado em Belo Horizonte durante outro ato de apoio a Flávio Bolsonaro.

Na capital mineira, ainda de acordo com a publicação de Anielle, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante a manifestação. A deputada afirmou que buscaria informações sobre as medidas cabíveis para os dois casos.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos