O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) divulgou uma comparação entre ações, declarações e propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre racismo, liberdade religiosa e segurança pública. A publicação foi lançada neste mês, antes da votação de domingo (25), e inclui episódios de desinformação relacionados às religiões de matriz africana.
O minidossiê, intitulado Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio, foi elaborado, segundo o instituto, com consultas a sites do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de notícias de jornal. As fontes utilizadas estão reunidas na íntegra do documento, de acordo com o Idafro.
Conteúdos falsos na campanha
Entre os episódios recuperados está a circulação, na véspera do primeiro turno, de conteúdos falsos envolvendo Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva. O instituto cita imagens geradas por inteligência artificial que simulavam uma oferenda no Palácio do Planalto, associações de Janja a rituais satânicos e informações falsas sobre a cobrança de impostos de igrejas.
O documento também menciona um vídeo divulgado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Nas imagens, Lula aparece em um terreiro durante uma homenagem. Segundo a publicação, o parlamentar questionou a fé do presidente ao divulgar o conteúdo.
Para o Idafro, o uso estigmatizante dessas peças atinge os povos de terreiro mesmo quando o alvo declarado é um candidato e independentemente de quem possa ser beneficiado eleitoralmente.
Diferenças entre os programas
Na comparação apresentada pelo instituto, Lula reconhece a discriminação racial como um fator associado às desigualdades. Entre as propostas relacionadas ao candidato estão o aprimoramento de ações afirmativas, a regularização de quilombos e a demarcação de terras indígenas.
O programa também é descrito como voltado à proteção da juventude negra contra a violência e à adoção de medidas para reduzir homicídios. O Idafro afirma que pessoas negras são as maiores vítimas desse crime.
Em relação a Flávio Bolsonaro, a publicação afirma que declarações do candidato e seu programa de governo negam a existência do racismo. O instituto diz ainda que o plano não cita termos como “cota”, “racismo”, “negro”, “preto”, “pardo”, “inclusão racial”, “terreiro”, “matriz africana”, “laico”, “intolerância” e “discriminação”.
Reconhecimento facial e povos de terreiro
Outro ponto destacado é a proposta de Flávio para criar um sistema de reconhecimento facial. O Idafro sustenta que a medida traz risco de criminalização de pessoas negras porque pesquisas brasileiras e estrangeiras apontam taxas de erro mais elevadas na identificação de rostos pretos e pardos. Na avaliação da entidade, essas falhas podem resultar em prisões equivocadas e abordagens injustas.
O instituto contrapõe a proposta às medidas associadas ao programa de Lula para proteger a juventude negra e reduzir homicídios. Também cita como sinal de compromisso com o combate ao racismo religioso a criação, em 2024, do grupo responsável por elaborar uma política nacional para povos de terreiro.
Segundo o Idafro, essa política reforçou direitos dos adeptos dessas religiões, incluindo a inviolabilidade dos terreiros, frequentemente invadidos e depredados, e incentivou a preservação do patrimônio imaterial.
Denúncias de intolerância
O Disque Direitos Humanos (Disque 100) registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, conforme o dado citado no minidossiê. O serviço é mantido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, funciona 24 horas e oferece atendimento gratuito e imediato.
O cenário religioso brasileiro apresentado na publicação é formado por 57% de católicos, 27% de evangélicos, 9% de pessoas sem religião e 1% de adeptos de umbanda e candomblé. O documento também lembra que a Constituição estabelece o Estado como laico.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para se manifestar sobre o levantamento. Conforme a divulgação, o espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos








