Centro Histórico de Manaus é tema de seminário e rodas de conversa sobre preservação e reabilitação de imóveis

Atividades do “Mês do Patrimônio” em 21/8 reuniram gestores, profissionais e estudantes para discutir preservação, gestão e novos usos do Centro Histórico de Manaus

O Centro Histórico de Manaus foi tema de dois encontros realizados nessa sexta-feira, 21/8, dentro da programação do “Mês do Patrimônio”. As atividades ocorreram na capital amazonense e reuniram gestores do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) da Prefeitura de Manaus, profissionais, estudantes de arquitetura e urbanismo e representantes do poder público para trocar experiências sobre preservação, gestão e reabilitação de imóveis.

Seminário e programas apresentados

Pela manhã, o Seminário de Preservação do Centro Histórico promoveu uma troca de experiências entre Manaus e Rio de Janeiro. Participaram Valéria Hazan, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Rio de Janeiro, e o arquiteto e urbanista Pedro Paulo, vice-presidente do Implurb, que apresentou ações e projetos da Prefeitura para a recuperação e valorização da região central.

Entre os temas apresentados esteve o programa “Nosso Centro”, que reúne intervenções em imóveis e espaços públicos do centro histórico, associando a preservação do patrimônio à criação de novos usos e à retomada da vitalidade urbana. Segundo Pedro Paulo, “Nós apresentamos o ‘Nosso Centro’, fazendo um link sobre a questão da preservação de patrimônio histórico. E todas as nossas intervenções que estão em imóveis abandonados, de posse da prefeitura, foram mostradas”.

Durante a apresentação, o projeto que mais despertou interesse foi a primeira Rua Gastronômica da capital, com intervenções urbanísticas na rua Ferreira Pena. A proposta foi lançada este mês e as obras começam nesta segunda-feira, 24/8. A discussão envolveu questões como acesso, caminhabilidade e a necessidade de ampliar o uso da área além do período noturno. “A ideia é que ela funcione no período noturno e de outro, não só com a parte de alimentação, mas com outras atividades, promovendo e ampliando a diversidade de uso”, destacou Pedro Paulo.

Ainda conforme o vice-presidente, a primeira etapa do programa está praticamente concluída, com a obra do Casarão de São Vicente em andamento, além das demais intervenções previstas.

Reabilitação e novos usos

À tarde, a programação seguiu com uma roda de conversa sobre reabilitação de imóveis, apresentando iniciativas que já movimentam o Centro Histórico de Manaus. Foram citados o Centro Casarão de Ideias, instalado na antiga escola Saldanha Marinho; o Mercado de Origem, no complexo Booth Line; o Bistrô Senac; o projeto da Faculdade de Gastronomia; além de projetos aprovados e em execução voltados à habitação no Centro.

A discussão mostrou que preservar o patrimônio não significa congelar a cidade no tempo. A recuperação de imóveis históricos foi tratada como associada à cultura, gastronomia, educação, moradia e atividades econômicas que devolvem vitalidade aos espaços.

Gestão compartilhada

A programação reforçou a importância da atuação conjunta entre as diferentes esferas do poder público. A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Beatriz Calheiros, afirmou que a aproximação entre instituições, profissionais e estudantes é fundamental para fortalecer a gestão compartilhada do patrimônio cultural. “A gente precisava mostrar para a comunidade, para graduandos e profissionais, essa relação da gestão compartilhada. São responsabilidades, obrigações, mas também o compromisso do diálogo”, disse.

Conforme Beatriz, esse diálogo é especialmente importante para quem está em processo de formação e futuramente estará envolvido com projetos e intervenções em áreas protegidas. “É muito importante que quem está nesse processo de formação saiba que ele vai poder contar tanto com o poder público municipal quanto com o poder público em âmbito federal nessa gestão do patrimônio cultural”, destacou.

A superintendente ressaltou que a conexão entre os órgãos precisa chegar também à sociedade, criando espaços para esclarecimento de dúvidas e compartilhamento de informações.

Preservação e futuro do centro

As discussões ao longo do dia reforçaram a premissa da Prefeitura de Manaus de que cuidar do patrimônio histórico também significa garantir que esses espaços continuem integrados à vida da cidade. No centro histórico, edificações, ruas, praças e conjuntos urbanos carregam camadas da formação da capital e preservam referências culturais e afetivas de gerações.

Nesse contexto, ações de reabilitação e novos usos contribuem para aproximar a população desses espaços, fortalecendo o sentimento de pertencimento e criando novas possibilidades para uma região que concentra parte importante da memória da capital. Os debates apontaram que preservar envolve manter a memória viva e, ao mesmo tempo, criar condições para que os espaços continuem sendo ocupados e vivenciados pelos manauaras.

Texto – Claudia do Valle/Implurb

Fotos – Divulgação/Implurb e Iphan

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Publicado em: 22/08/2026 às 12:36
Categoria(s): Política Municipal