segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Cidades

Santa Maria ganha destaque entre as regiões de Brasília pela população, localização e atividade econômica

Santa Maria, no sul do Distrito Federal, deixou de ser uma área de ocupação recente para se tornar uma das regiões administrativas mais populosas e estratégicas de Brasília. A história da RA XIII combina política habitacional, expansão urbana, ligação com Goiás e crescimento econômico associado à BR-040.

Santa Maria ganhou espaço entre as regiões mais relevantes de Brasília ao combinar crescimento populacional, localização estratégica e expansão de atividades econômicas. Situada na porção sul do Distrito Federal, a Região Administrativa XIII reúne áreas residenciais, núcleos rurais, instalações militares, equipamentos públicos e o Polo de Desenvolvimento Juscelino Kubitschek, conhecido como Polo JK.

A transformação de Santa Maria ocorreu principalmente a partir dos anos 1990, quando o Governo do Distrito Federal implantou um programa de assentamento voltado à habitação de famílias de baixa renda e à reorganização de ocupações dispersas. Desde então, a região passou por um processo de consolidação urbana que mudou sua posição dentro do conjunto de cidades do Distrito Federal.

Dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada de 2024, elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, indicam uma população urbana de 121.635 pessoas em Santa Maria. O número ajuda a dimensionar o peso da região na estrutura territorial de Brasília e mostra a escala alcançada pelo núcleo criado há pouco mais de três décadas. (pdad.ipe.df.gov.br)

Da ocupação rural à criação da Região Administrativa

Antes de se tornar uma região administrativa, a área de Santa Maria fazia parte de um território historicamente associado ao estado de Goiás. As referências sobre a ocupação local remontam ao século XVIII, quando a região estava ligada ao antigo Arraial de Santa Luzia, atual município de Luziânia, e às áreas banhadas pelos rios e ribeirões Santa Maria, Alagados, Saia Velha e Ponte Alta.

O território também abrigou núcleos rurais formados pelo poder público, entre eles Alagados, Visconde de Inhaúma e Água Quente. A presença dessas áreas explica parte da configuração territorial atual, que combina uma zona urbana densamente ocupada com espaços rurais, ambientais e institucionais.

A criação da Região Administrativa de Santa Maria foi autorizada pela Lei nº 348, de 4 de novembro de 1992. A medida foi regulamentada pelo Decreto nº 14.604, de 10 de fevereiro de 1993, que instituiu oficialmente a RA XIII. Em março do mesmo ano, a Lei nº 423 criou a Administração Regional de Santa Maria.

O decreto que criou a RA XIII estabeleceu a nova unidade administrativa dentro do processo de reorganização territorial do Distrito Federal. A legislação pode ser consultada no Sistema Integrado de Normas Jurídicas do Distrito Federal. (sinj.df.gov.br)

O papel do programa habitacional

A formação urbana de Santa Maria está diretamente ligada ao Programa de Assentamento do Governo do Distrito Federal, instituído em 1990. A iniciativa buscava atender à demanda habitacional de famílias de baixa renda e transferir ocupações irregulares espalhadas por outras áreas do Distrito Federal.

Esse processo deu origem a um núcleo planejado para receber moradores em uma área até então marcada pela presença de propriedades rurais e ocupações de menor densidade. A ocupação inicial ocorreu nas quadras 200 e 308 a 310. Nos anos seguintes, o parcelamento foi ampliado e consolidado.

O desenho urbano se desenvolveu entre os ribeirões Alagado e Santa Maria. As avenidas Alagado e Santa Maria passaram a funcionar como eixos estruturadores da região, concentrando circulação, comércio e serviços. A configuração contribuiu para formar uma identidade urbana própria, diferente da organização de outras regiões administrativas do DF.

O histórico oficial da região, reunido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, descreve a passagem de Santa Maria de um núcleo rural ligado ao Gama para uma área urbana com funções residenciais, administrativas e econômicas mais amplas. (pdad.ipe.df.gov.br)

Localização favorece a integração com Brasília e Goiás

Um dos fatores que explicam o destaque de Santa Maria é sua posição no sul do Distrito Federal. A região está próxima da chamada Saída Sul de Brasília e mantém ligação territorial e econômica com municípios goianos da área metropolitana, como Valparaíso de Goiás e Novo Gama.

As principais vias relacionadas à região incluem a Estrada Parque Contorno, conhecida como DF-001, além das rodovias DF-140, DF-290, DF-495 e BR-040. Esses caminhos conectam Santa Maria a outras regiões do Distrito Federal, ao Plano Piloto e às cidades do Entorno.

A localização produz efeitos diretos sobre o cotidiano dos moradores. Parte da população trabalha ou busca serviços fora da região, especialmente no Plano Piloto, no Gama e em municípios goianos próximos. Ao mesmo tempo, o crescimento de comércio, saúde, educação e serviços públicos reduziu a necessidade de deslocamentos para algumas atividades.

Na prática, Santa Maria funciona como uma área de transição entre o núcleo central de Brasília, as regiões administrativas do sul do DF e a periferia metropolitana situada em Goiás. Essa posição amplia sua importância nos fluxos de pessoas, mercadorias e serviços.

O Polo JK e a economia regional

O Polo de Desenvolvimento Juscelino Kubitschek é um dos principais elementos associados ao avanço econômico de Santa Maria. Localizado nas proximidades da BR-040, o polo reúne empresas ligadas principalmente à indústria, à logística e à distribuição.

A área tem importância por estar próxima de uma rodovia federal de grande circulação e por integrar o caminho entre municípios do Entorno e a região central de Brasília. A atividade logística se beneficia da conexão com mercados consumidores, áreas industriais e vias de acesso ao Distrito Federal.

O Polo JK também reforça a posição de Santa Maria como uma região que não depende exclusivamente da função residencial. A presença de empresas e estruturas de armazenamento amplia a oferta de empregos e movimenta serviços associados ao transporte, à manutenção, à alimentação e ao comércio.

Os dados do PDAD descrevem o Polo JK como um eixo de deslocamento entre os municípios da Periferia Metropolitana de Brasília e a área central da capital. A pesquisa também aponta o polo como parte relevante da base econômica do Distrito Federal. (pdad.ipe.df.gov.br)

Uma população formada por diferentes trajetórias

A população de Santa Maria é resultado de diferentes ondas de ocupação e migração. Segundo a PDAD-A 2024, 61,4% dos moradores declararam ter nascido no Distrito Federal. Entre os residentes que nasceram fora do DF, a Região Nordeste aparece como principal origem regional, com 63,4% dos casos analisados.

Esses dados refletem uma característica comum à formação urbana de Brasília: a presença de famílias que chegaram de outras partes do país em busca de trabalho, moradia e acesso a serviços. Em Santa Maria, esse processo foi reforçado pela política de assentamento dos anos 1990 e pela proximidade com o Entorno.

O tempo médio de moradia no Distrito Federal informado pela pesquisa foi de 25,7 anos. Já o tempo médio de permanência na própria região administrativa chegou a 16,6 anos. Os números indicam que muitos moradores construíram sua trajetória familiar e profissional em Santa Maria, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos locais.

A pesquisa também registrou idade média de 33,1 anos e maioria feminina entre os moradores. O retrato demográfico ajuda a explicar a demanda por escolas, unidades de saúde, transporte, espaços de esporte e áreas de convivência. (pdad.ipe.df.gov.br)

Serviços, equipamentos e vida urbana

O crescimento populacional levou à ampliação gradual da estrutura urbana. Santa Maria conta com equipamentos de saúde, educação, assistência social, esporte e lazer que atendem à população da própria região e, em alguns casos, moradores de áreas próximas.

Entre os equipamentos de abrangência regional mencionados em documentos oficiais estão o Centro Olímpico e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. A região também possui áreas ambientais, como o Parque Ecológico de Santa Maria e o Parque Recreativo do Gama, conhecido como Prainha.

Na área cultural e turística, um dos elementos mais conhecidos é o Monumento Solarius, uma escultura de grandes dimensões instalada na região e popularmente associada ao apelido de “Chifrudo”. O monumento se tornou um dos pontos de referência visual de Santa Maria.

A rede de serviços ainda convive com desafios típicos de regiões que cresceram rapidamente. A expansão urbana exige manutenção de vias, transporte público eficiente, oferta de vagas em equipamentos públicos e planejamento para novas áreas de ocupação. O desenvolvimento de Santa Maria, portanto, não se resume ao aumento da população: envolve a capacidade de acompanhar esse crescimento com infraestrutura adequada.

Uma região marcada por áreas militares e ambientais

Embora seja conhecida pelo conjunto residencial, Santa Maria possui uma composição territorial diversificada. A região abriga áreas vinculadas ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo, o CINDACTA, e a Área Alfa do Ministério da Marinha.

Essas áreas institucionais influenciam a ocupação do solo e ajudam a explicar por que a região apresenta espaços com funções distintas. Ao lado das quadras urbanas e dos setores comerciais, existem áreas militares, rurais e ambientais que fazem parte da configuração administrativa de Santa Maria.

A presença dos ribeirões Santa Maria e Alagado também é importante para a paisagem e para o planejamento territorial. A ocupação urbana entre esses cursos d’água exige atenção à drenagem, à preservação ambiental e ao controle de novos parcelamentos.

O relatório do PDAD registra ainda que Santa Maria recebe água do sistema abastecido pelo manancial do Rio Descoberto e cita parques e áreas verdes como parte do patrimônio ambiental da região. (pdad.ipe.df.gov.br)

O que explica o destaque de Santa Maria

O destaque de Santa Maria entre as regiões de Brasília é resultado da combinação de fatores históricos e atuais. A região tem população expressiva, ocupa uma posição estratégica no sul do DF, está próxima de municípios goianos e possui ligação com importantes rodovias.

Também reúne atividades econômicas que ultrapassam o comércio de bairro, especialmente no Polo JK, além de equipamentos públicos, áreas ambientais e estruturas militares. Essa diversidade dá à região um papel mais amplo dentro da organização territorial do Distrito Federal.

Ao mesmo tempo, a história de Santa Maria mostra como a expansão de Brasília ocorreu por meio de políticas habitacionais e da criação de novos núcleos urbanos. A região nasceu de um projeto de assentamento e, ao longo das décadas, tornou-se uma cidade com identidade própria, mercado local e população consolidada.

O futuro de Santa Maria dependerá da capacidade de equilibrar crescimento urbano, preservação ambiental, mobilidade e oferta de serviços. A trajetória da RA XIII indica que a região já deixou de ser apenas uma área de expansão habitacional. Hoje, ela participa de forma mais ampla da dinâmica social, econômica e territorial de Brasília.

Fontes: PDAD-A 2024, PDAD Santa Maria, Decreto nº 14.604/1993 e Lei nº 423/1993.